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A famosa foto do homem na Lua

Atualizado: Jun 18


Atualmente é muito comum entusiastas de equipamentos fotográficos, compartilhando nas redes a lente caríssima ou corpo de câmera ultima geração usado para fazer suas fotos. Mas você já se perguntou como as imagens mais icônicas do mundo foram registradas? A maioria das fotografias que marcaram época foram feitas com câmeras analógicas e o bom e velho filme fotográfico.


Estudando mais a fundo fotografia analógica, ao me aventurar na produção completa da escolha do filme à revelação. Me peguei questionando que tipo de filme foi usado nas imagens da missão da Apollo 11, que levou astronautas americanos para a lua em 1969. Afinal, não é qualquer processo mal pensado que produziria aquelas imagens. Para minha felicidade, a NASA mantém em seu website uma extensa e detalhada cobertura de todos os projetos já feitos, com artigos integrais e muitas fotografias de tirar o fôlego. 


Quando John Glenn se tornou o primeiro americano em órbita, levar uma câmera foi uma decisão de ultima hora. Uma câmera Ansco Autoset 35mm, fabricada pela Minolta, foi comprada em uma farmácia local e modificada às pressas para que o astronauta pudesse usá-la mais facilmente enquanto usava seu traje de pressão. Na época, tudo o que John Glenn fez foi considerado um experimento. No início do programa, ninguém sabia ao certo se a falta de peso impediria um homem de ver, respirar ou comer e engolir. A fotografia era considerada nada mais do que uma recreação.”





Apesar de prover uma câmera não ter sido uma decisão planejada com antecedência, a Kodak Film registrou as reações do astronauta viajando a 28.400 quilômetros por hora até a orbita terrestre. A Kodak se uniu à NASA em missões de ciência espacial e sensoriamento remoto por mais de 40 anos, estando presente e ajustando os equipamentos a cada nova missão. Aliás, quando John Glenn voltou ao espaço, mais de 35 anos depois, operou uma câmera digital Kodak modificada para documentar a histórica missão do ônibus espacial.

Na missão Apollo 11, um extensivo equipamento de câmera foi transportado abordo. Incluindo duas câmeras filmadoras 16mm da Maurer, telas de tv, uma câmera Kodak de close-up e três câmeras Hasselblad 500EL equipadas com filmes que já vinham sendo desenvolvidos desde missões anteriores.




“A NASA pediu à Kodak que desenvolvesse novos filmes com emulsões especiais. Na Apollo 8, três cartuchos foram carregados com filme perfurado Kodak Panatomic-X de granulação fina de 70 mm de espessura, 80 ASA, preto e branco. Duas com o Kodak Ektachrome SO-168, uma com Kodak Ektachrome SO-121 e um cartucho com super filme Kodak 2485, 16.000 ASA sensível à luz.”

Apollo 11

A câmera de dados usada na superfície lunar foi  uma 500EL com modificações adicionais, como uma camada condutora para afastar eletricidade estática e uma placa Reseau. Um tipo de vidro de registro transparente que ficava entre o cartucho de filme e o corpo da câmera, registrando uma grade de cruzes nas fotos com interseções calibradas com precisão para uma tolerância de 0,002 mm. As cruzes foram registradas em cada quadro de filme exposto, e a partir dessas marcações, foi possível de calibrar a distância e a altura nas fotos tiradas na superfície lunar ou no espaço. Tais marcações não foram novas ou exclusivas do programa espacial. Eles eram costumeiramente usadas para fotografia científica e fotografias aéreas de grande formato antes dos pousos na Lua.



Foram transportados dois cartuchos de filmes para a câmera de dados Hasselblad 500EL para uso na superfície da Lua. Trinta e três rolos do mesmo tipo de filme usados nas missões anteriores. O filme usado para o Apollo 11 foi carregado, e várias fotos de teste expostas antes do voo. Quando os cartuchos de filmes foram devolvidos para processamento após a missão, as fotos dos testes foram cortadas e processadas primeiro. Elas foram comparadas com gráficos de cores precisos para garantir que não houvesse defeitos no processamento do restante do filme e que as cores seriam mais precisas. A câmera e a lente foram deixadas para trás e ainda repousam na superfície da Lua na Tranquility Base.


Os astronautas da Apollo passaram por treinamento intensivo em preparação para suas explorações na Lua, durante vários anos, incluindo treinamento cientifico e fotográfico. Eles foram incentivados a levar câmeras de treinamento em viagens para se familiarizar com a operação do equipamento e aprimorar sua técnica. As equipes receberam tutoriais sobre o equipamento, sua operação e também sobre os propósitos científicos em visitas a locais geológicos no Arizona, Nevada, e Havaí, simulando frequentemente sua travessia lunar, completamente equipada com sacos de amostras, listas de verificação, mochilas simuladas, martelo de pedra lunar, equipamento de amostragem de núcleo e normalmente usando câmeras EL Hasselblad semelhantes às que usariam na lua. Como o uso da câmera foi automatizado, o treinamento mais crucial foi apontar a câmera que estava conectada aos pacotes de controle do peito para o sistema de controle ambiental do traje. Os filmes capturados durante os exercícios eram processados e devolvidos aos tripulantes para que estudassem seus resultados.

Esses registros, que definitivamente são um marco cientifico extremamente importante para a evolução humana, não seriam possíveis sem o desenvolvimento de cartuchos de filme especiais, ajustes de lentes, adaptações em câmeras, treino de operação e tantas outras tecnologias que só foram pensadas para esse fim. O que começou com uma câmera comprada na farmácia e modificada as pressas, acabou evoluindo imensamente no intervalo de sete anos, e a recompensa, 50 anos depois, ainda é de encher os olhos.

Para saber mais:

Artigo NASA sobre as fotografias do projeto Apollo

Artigo NASA sobre o Sistema Fotográfico Kodak

Artigo NASA sobre câmeras Hasselblad no espaço



Todas as imagens retiradas da Galeria da NASA. Agradecimentos ao Gustavo Nanni por elucidar alguns conhecimentos técnicos necessários para essa matéria ser escrita.

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