Rotinas ou não, eis a questão!


Não sei quanto a vocês mas eu sempre gostei de ter pequenas rotinas. Coisas simples, como acordar na mesma hora (sem despertador), tomar café do mesmo jeito, ter hábitos nutritivos, e todos esses detalhes que ajudam a vida andar num movimento mais fluido. Por muitos anos isso atrapalhou meu desempenho, e me sentia miserável cumprindo os horários do trabalho de carteira assinada. Nunca gostei que meu ritmo fosse ditado por outras pessoas, ou pior, por uma corporação. Portanto, foi uma surpresa nada prazerosa, notar que eu me sentia igualmente miserável como autônoma.

Quando pensamos em rotina, é normal logo associarmos com o tal do horário comercial, com bater o cartão, com a cobrança do chefe, e tarefas que odiamos. Isso porque geralmente é assim que começa a vida de trabalho para a maioria dos mortais. Então, quando finalmente conseguimos trabalhar fazendo algo que amamos, e sendo responsáveis por tudo que se passa na nossa própria empresa, a tendencia é surtar, não se organizar direito e principalmente, se cobrar em excesso, ao menor sinal dessa palavra rondar nossa cabeça.


Demorei uma década para entender que rotina não necessariamente quer dizer trabalho, e que estabelecer hábitos rotineiros, ou uma ordem de coisas que você gostaria cumprir no seu dia, ajuda a organizar as tarefas, de forma que sobre algum tempo livre para usar sem culpa.


Minha rotina pessoal pode ser mais regrada hoje, mas minha mente criativa sempre funcionou em picos alternados de, abstração borboletando sem pouso, ou um super master blaster foco na bolha do meu mundinho. Esses estados mentais geralmente eram organizados em:

1- Alguns dias onde tudo que eu fazia dava errado, travava, nada fluía, e eu me remoía em frustração por ter muita coisa a fazer e nada dar certo;

2- Um dia ou dois, onde o foco estava preciso, e tudo que levei três dias tentando se tornava milagrosamente possível fazer em 10min;


3- Um dia de folga que passava me culpando por ter perdido tempo na falta de foco, sabendo que tinham mais coisas a serem feitas lá na frente.

Durante esse período percebi que todas as mentes criativas que conhecia, também tinham picos de produtividade, em tempos diferentes do meu, é claro, mas todos igualmente se culpavam pelos dias de baixa eficiência. E esse, meus amigos, foi meu tapa na cara! Porque se eu conseguia tratar com carinho e empatia a montanha russa de sentimentos dos meus amigos, também precisava tratar as minhas alterações com mais amor.


Confesso que demorou para meu corpo e mente caminharem na mesma velocidade, e entender que fazer arte não é o trabalho de uma máquina (terapia é vida, lindezas). E já que não é possível desapegar-se do dia para a noite dessa ideia de nos cobrarmos por produção constante, gostaria de compartilhar com vocês o que mudou na minha rotina depois dessa percepção, um pouquinho do que funcionou para mim:


1- Deixo as coisas que não exigem muita atenção, ou que posso fazer com calma para os dias de baixo rendimento. Sempre que me frustro muito dou uma pequena pausa, para fazer uma tarefa rápida, ou algo que eu goste de fazer, como alongar, tomar um chá, podar uma plantinha, lavar a louça, ou tocar uma musica. Se voltar para o trabalho e ainda não fluir, eu troco de tarefa, e guardo aquela para tentar novamente depois.

2-  Nos dias de foco eu aproveito para fazer muita coisa, os atrasados e tudo o que puder adiantar. É o momento onde zero as tarefas, e mesmo que sobre tempo, tento não dispersar. Aproveito para deixar tudo em dia, o que me ajuda muito nos dias de baixa. Saber que nos dias de bateria 100%, tudo vai sair mais rápido, tranquiliza minha mente.


3- Eu tiro um dia de folga por semana, e nele faço só o que me der na telha sem me culpar. É meu dia de maratonar serie sem parar, de cozinhar mil lanchos, brincar com técnicas artísticas ou dormir o dia inteiro. Tem dias que até faço um check list de tudo que quero fazer de legal, e se risco um item, sem pensar na culpa de não estar trabalhando, já conto como vitoria!


Quando observamos nosso ritmo, fica mais fácil de perceber nossos momentos de maior e menor pique. Uma boa rotina, será aquela que te deixa mais feliz, e a produtividade artística, é uma consequência inevitável desse respeito próprio. Se observe com carinho, perceba onde e quando você trabalha melhor, e sempre que for possível, organize suas tarefas tendo em mente suas limitações e potenciais.


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